CFMV participa de Conferência Internacional em Bem-estar animal em Santa Catarina

23/08/2016 – Atualizado em 31/10/2022 – 8:48am

Por Flávia Lôbo (com a colaboração de Carolina Menkes)

‘O bem-estar animal nas diferentes espécies’ foi o cerne das discussões e debates da Conferência Internacional e Mostra Científica em Bem-estar Animal (Cibea), realizada de 11 a 13 de agosto, em Itapiranga, no interior de Santa Catarina.  O evento reuniu mais de 600 participantes e culminou com a entrega aos organizadores de 196 trabalhos científicos sobre o assunto.

"" Crédito: Assessoria de Comunicação Faculdades de Ipiranga
 

Grandes nomes nacionais e internacionais da área estiveram presentes. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) também contribuiu para o evento com palestras das integrantes da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (CEBEA/CFMV), médica veterinária Carla Molento – presidente da comissão – e da médica veterinária Paloma Bosso.

"" Crédito: Assessoria de Comunicação Faculdades de Ipiranga

Molento considerou o evento um marco, pois levou público significante para cidade que não é parte do grande eixo e as palestras foram de excelente qualidade. Em sua apresentação, ela abordou a situação de bem-estar de animais de produção na América do Sul, envolvendo legislação e exemplos de iniciativas.

“O tema foi motivado por um evento da Unesco em que eu participei ano passado na França, que abordou a situação de bem-estar de animais de produção na América Central e do Sul. Essa discussão não poderia estar apenas na Europa. O principal fórum da discussão deveria ser entre nós. Foi uma boa oportunidade para trazer dados e reflexão necessária para promover avanços na situação de animais de produção, especificamente no Brasil”, explica.  

Sobre as outras exposições da conferência, a médica veterinária destaca a participação de Temple Grandin,  pesquisadora com autismo que revolucionou as práticas de manejo e abate de animais no planeta.

“ “Grandin é responsável por boa parte dos avanços no abate humanitário nos EUA. Deu grande contribuição ao evento. Em um momento de sua apresentação, ela citou um guia para insensibilização e abate humanitário. Isso deve ser valorizado e divulgado”.  Acesse aqui o guia editado pela Associação Americana de Medicina Veterinária (AVMA).

A médica veterinária Paloma Bosso discorreu, em sua palestra, sobre maneiras diferentes de mensurar o grau de bem-estar dos animais mantidos em Zoológicos e aquários. Ela destacou que, ao avaliar o ambiente que o animal está inserido, o profissional deve verificar as seguintes situações:  se ele apresenta um comportamento de acordo com a espécie; se ele recebe alimento e água em qualidade e quantidade adequada; se há atendimento clínico correto; se a parte psicológica do animal está habitual (stress, medo); e se o manejo está sendo feito de forma apropriada.

"" Crédito: Assessoria de Comunicação Faculdades de Ipiranga

“Quis enfatizar principalmente as questões ambientais, comportamentais e psicológicas, pois as partes clínica e nutricional já são trabalhadas nos cursos de graduação. O evento foi de altíssimo nível, destaco a qualidade dos conferencistas e o interesse dos participantes. Altamente gratificante”, diz Paloma.

Para o coordenador da Conferência e do curso de Medicina Veterinária da  Faculdades de Itapiranga (FAI), organizadora do evento, professor Sandro Charopen Machado, o evento superou todas as expectativas, tanto em qualidade das palestras, quanto em número de participantes e variabilidade de regiões. “Outro grande fator positivo foi a qualidade e o nível de trabalhos científicos apresentados, que determinou um maior aporte de conhecimento sobre o assunto”, finalizou.

 

Sobre Temple Grandin

Temple Grandin é Bacharel em Psicologia pelo Franklin Pierce College , mestrado em Zootecnia na Universidade Estadual do Arizona e  é Ph.D. em Zootecnia, desde 1989, pela Universidade de Illinois. Grandin atua como professora de zoologia da Universidade de Colorad e tem mais de 10 livros e centenas de artigos publicados. Realizou pesquisas sobre comportamento animal e desenvolveu equipamentos e instalações para a pecuária.

"" Crédito: Assessoria de Comunicação Faculdades de Ipiranga

Diagnosticada com autismo na década de 50, ela começou a falar apenas quando tinha quatro anos, sempre teve dificuldade com álgebra no colégio e sofria bullying na adolescência porque costumava repetir frases o tempo todo. Ela é considerada a profissional com autismo mais bem-sucedida e famosa nos EUA. “Se o autismo é algo importante na minha vida é bom que vocês saibam que metade do gado desse país é abrigado em currais que eu inventei”, fez questão de contar.

Assessoria de Comunicação do CFMV